Desde sempre, o homem conviveu com estados de saúde, estados de menor bem-estar e estados de doença instalada, tal como os conhecemos actualmente. E também desde sempre alguns homens se distinguiam dos restantes, que recorriam aos seus conhecimentos diferenciados, para que as suas maleitas fossem curadas ou minoradas. Os Médicos de antigamente, recebiam a sua formação directamente dos mestres a quem ajudavam, tentando complementá-la com as suas próprias observações e experiência, tendo sido esta a forma como os conhecimentos têm chegado até a actualidade. Hoje em dia, o ensino médico divide-se em duas fases principais: - o período pré graduado, ministrado nas Universidades e Faculdades de Medicina - o período pós graduado, ministrado em ambiente hospitalar ou em centros de saúde, normalmente chamado de Internato da Especialidade e que se prolonga por cerca de 5 anos. Se as diversas Faculdades e Universidades onde se pode frequentar o Curso de Medicina já têm os seus curricula perfeitamente estabelecidos, já o período pós graduado varia consoante o sítio onde o jovem médico conseguiu colocação, com programas definidos pelos Colégios de Especialidade da Ordem dos Médicos e com os critérios de ensino e avaliação dependentes do Tutor e do Director de Serviço do candidato. Não há uma uniformidade de critérios, com claro prejuízo dos que não conseguem colocação nos grandes centros. A realidade madeirense não difere muito dos que estão longe dos grandes centros, correndo o risco de, pela menor casuística diferenciada, ter sempre alguém que se acha no direito de dizer que vai retirar a idoneidade para poder dar especialidades. Mas a Madeira tem capacidade de inovar nesta área. A UMA já ministra o Ciclo Básico e trabalha para ter todo o ciclo pré graduado. Tem um Hospital e um Serviço de Saúde com a maioria das valências médicas necessárias para poder formar especialistas. Então o que falta? Falta institucionalizar o período pós graduado numa parceria entre Universidade e Serviço de Saúde. As duas instituições - Universidade e Serviço de Saúde - poderiam criar espaços de ensino diversificado, aproveitando o know-how da Universidade, que tem Professores de várias áreas, como a Saúde, a Matemática, a Gestão, a Linguística e o Ensino, criando sinergias de ensino, complementar ao ensino técnico que os tutores clínicos dos jovens candidatos a especialista ministram. Poderiam ser criados cursos de tutoria para os médicos com essas funções, etc. Alguns dos médicos com mais experiência poderiam ser aproveitados para outras funções, nomeadamente o ensino pós graduado. A sua experiência e os seus curricula são uma mais-valia inestimável, que com uma motivação diferente, podem potenciar os conhecimentos práticos adquiridos pelos jovens médicos, iniciando-se um novo paradigma de transmissão de conhecimentos de riqueza inestimável, também para a Universidade. O campo é vasto e seria uma inovação a nível nacional termos as especialidades médicas com um cunho universitário, afinal o objectivo de qualquer aprendizagem pós graduada, contornando de vez a questão da idoneidade. Temos de trabalhar para inovarmos e estarmos na linha da frente, porque temos essa capacidade já instalada. É nosso dever utilizá-la.
Pedro Melvill de Araújo