Num País em que todos podemos falar de cultura em todas as suas vertentes científicas e sociais, quando levantamos as nossas cabeças dos conceitos deparamo-nos apenas com isso mesmo, conceitos! Neste País que prima pela sua historia rica e preenchida, mas pobre em meios financeiros, como dir-me-iam de certeza as vozes do contra e eterno protesto, esquecemo-nos daquilo que perdemos entre conceitos e nos esquecemos por erradamente tomá-la como inútil, a cultura. Ficar-me-ia bem acusar o governo de falta de investimento, de falta de promoção e também, por vezes e tristemente, de falta de preservação, mas não o faço, porque embora as minhas enumerações estejam correctas e em parte de acordo com a realidade, há que pôr a mão na consciência e acusar a nós mesmos como Portugueses ou Madeirenses, se assim preferirem, da actual desgraça cultural. Numa sociedade onde apenas valorizamos entre nós o "Chico-espertismo" ou a "tabela classificativa da liga Sagres", não nos lembramos, na pausa entre o café e do passar do dedo pela página do jornal, que ao contrário do que tomamos como certo, o conceito de cultura não vem associado a um grupo de elite, onde, no imaginário dos que preferem ignorar, estes encontram-se sentados em belas cadeiras apetrechadas a fumar o seu magnificente charuto enquanto falam em francês. Enganos! Sim… Enganos, esses o de desprezar o que é cultural por achar que não nos é destinado ou que não nos achamos ao nível de participar e contribuir, seja por que motivo for, educativo ou até mesmo falta de hábito. Atenção! Cultura também é educação, cultura também é hábitos, cultura vai do que lemos ao que vemos, do que falamos ao que gostamos, cultura não é algo reservado aos tais clubes elitistas e quase místicos do imaginário popular. Já é mais que altura de olhar para um livro, um quadro ou até mesmo um concerto do mesmo modo com que se olha para a secção do desporto ou do horóscopo, com apreço e valor! Só deste modo, com uma mudança de olhares, com uma cooperação activa entre Estado e População poder-se-á trazer à superfície um Portugal e uma Madeira onde o conhecimento vá alem do escárnio e mal dizer, onde conteúdos dignos sejam manifestos de um povo mais cultural e consciente da sua identidade, uma nação mais progressista, menos redundante e obtusa, europeia ao nível daqueles que há muitas décadas pensaram nisto e hoje primam de valor, "valores" e reconhecimento.

Diogo Gonçalves - Aluno da UMa