Já todos sabemos que o país vai mal. Os jornais e os noticiários não se cansam de nos lembrar as medidas de austeridade, a crise política e a discussão sobre o orçamento para 2011.

Já todos sabemos que a vida está difícil, que o desemprego aumenta a olhos vistos, que a constituição talvez deva ser revista e mesmo assim, as más notícias continuam a surgir, talvez em ponto mais pequeno, talvez aquelas que apenas nos tocam só a nós e a mais meia-dúzia.

Há poucos dias a chuva voltou em força à Madeira e com ela regressou o medo e o respeito pelas ribeiras e pelas forças da natureza que de vez em quando faz questão em nos recordar que é superior a qualquer vontade humana. Dizem, aqueles que supostamente deviam saber, que o que aconteceu na quinta-feira passada mostrou o bom trabalho que foi feito desde o 20 de Fevereiro. Mas perdoem-me se não consigo acreditar após ter visto uma Avenida do Mar inundada e intransitável, mesmo quando choveu menos do que há oito meses.

A verdade é que a chuva foi muita mas esteve longe de ser a suficiente para ‘lavar’ a cara da Região numa semana em que voltaram a ser notícias os ‘rankings’ das escolas e as taxas de transição/conclusão dos alunos madeirenses que ficam aquém das expectativas. Que os ‘rankings’ das escolas, feitos com base em notas dos exames nacionais, sejam redutores numa análise à Educação regional, isso é facilmente aceite, mas não se pode dizer o mesmo em termos do número de alunos que passam de ano ou que concluem um determinado nível de ensino. Estamos abaixo da média nacional, isso é um facto, e não vale a pena virem dizer que a Madeira já evoluiu muito ou então fazer comparações com o que era antes do 25 de Abril. O que interessa é o hoje e o amanhã!

São precisas respostas e propostas concretas não só para a Educação como também para a Saúde que, nos últimos tempos, parece estar com algum vírus… Continuam as notícias de instabilidade no Serviço de Saúde, embora os responsáveis neguem sempre tudo e a pés juntos. Vêm as greves, as queixas, os pedidos de exoneração, os abandonos do serviço público. Mas quando se pedem respostas, dizem que é invenção de alguns ‘ressabiados’ ou de outros que têm interesses diferentes de quem manda agora… A verdade é que, no final, quem paga, são os utentes, aqueles que não têm possibilidade de, no caso de doença, comprarem uma passagem e procurar ajuda fora da Região.

A Saúde está doente, a Educação constipada, a cidade inundada, os jovens perdidos na vida e a fugir dela… É preciso reflectir seriamente, não ter medo de pedir ajuda seja em que caso for. Já lá foi o tempo de baixar os braços e esperar que outro, sempre outro, tome a atitude que achamos ser a necessária e a mais correcta. Mudar o ciclo de más notícias depende de todos e de cada um de nós. Apontar o dedo não basta, nunca bastou…