"É bom que os assobiadores do costume, os ortodoxos militantes acordem e estejam à altura dos desafios. Já não está em causa saber se o aumento é de 1 ou 6 mas sim de saber se há ou não trabalho." As empresas madeirenses, especialmente as ligadas ao sector da construção civil e obras públicas, chegaram a uma encruzilhada. Fruto de uma estratégia de forte investimento público e de uma actividade imobiliária intensa, este sector tornou-se num dos pilares da economia madeirense, na criação de emprego e na contribuição para o produto. Ao longo destes anos nenhuma outra área da economia distribuiu tão bem os frutos da sua actividade. Este facto pode ser atestado pelo nível de aumentos salariais atingidos anualmente e pelas discrepâncias abismais (em relação a documentos congéneres nacionais) que o contrato colectivo apresenta: diferenças positivas nos salários que atingem 35%, subsídio de refeição 50% superior ao pago à função pública e 250% acima do valor pago na hotelaria, direitos anacrónicos sem aplicabilidade actual (subsídio de deslocação dentro da ilha), progressões na carreira sem comprovação das capacidades reais dos colaboradores. Não obstante os contínuos e sistemáticos apelos da associação patronal do sector, o sindicato, cuja direcção é a mesma há 30 anos, recusa-se a modernizar e alterar este estado da arte. Brande o obtuso e empoeirado conceito dos direitos adquiridos e assobia para o lado, sem perceber que caminha a passos largos para a sua própria extinção. Perante esta situação resta às empresas madeirenses ligadas a este sector três vias possíveis: o proteccionismo conservador e legalmente instituído; a correcção destas discrepâncias para que lhes seja devolvida a competitividade ou, por último, a falência. Este panorama aplica-se a todas que trabalham exclusivamente na Região.
Carlos Rodrigues - Empresário