Já não sei se há vida para além do futebol. A brutalidade com que o povo português está a ser assaltado nos seus mais elementares direitos, tudo em nome de uma crise que urge resolver (?), deixa para segundo plano as mesquinhices e as maledicências que envolvem o futebol português. Ou se calhar, em contraditório, ainda o torna mais apelativo como forma a esquecer os sacrifícios a que está sujeito a maioria da população portuguesa. É que enquanto se discutem, por exemplo, a legalidade das escutas telefónicas lançadas nas redes sociais ou as arbitragens, não se discutem os anseios mais prementes de todos nós. Por cá, no nosso burgo, entretanto, há uns autistas que, alheados da realidade que os rodeia, vão reivindicando mais dinheiro e mais condições para que o seu ego possa continuar bem empinado. Precisamente numa altura em que as ideias, de facto, necessitam ficar bem colocadas e recheadas de bom senso. Como repensar todo o desporto e, sobretudo, o futebol profissional, quando a crise assola tudo e todos? Como pedir mais e melhor numa altura em que o dinheiro está mais caro que nunca? Cá para mim tenho que, de facto, a solução para os problemas que vão assolando o desporto regional, que são essencialmente problemas de carácter financeiro e resultantes de uma dependência excessiva aos subsídios atribuídos, terão que passar, também aqui, por cortes, por decisões polémicas e, acima de tudo, por separar o trigo do joio. Escolhendo minuciosamente o que deve ser apoiado e o que, na realidade, traz retorno para a Região. É que, a não ser assim, um dias destes andam todos de tanga. O pior é que, tal como na política nacional, muito disto já devia estar feito há muito tempo pois, se assim tivesse sido, não haveria agora tantos problemas para solucionar, nem andavam alguns, agora, num verdadeiro coro de lamentações e reclamações. Também, as soluções que vamos lendo nestes últimos dias por cérebros iluminados, são para de pasmar. Mas também vindo de quem vem... PS: Todos dos dias somos surpreendidos por situações inesperadas, mesmo quando já pensamos ter visto tudo e já nada nos poder surpreender. Mas, por isso mesmo e como Renato Kehhl escreveu, muitas vezes, é necessário pensar para acertar, calar para resistir e agir para pensar.
Emanuel Rosa - Repórter