Alexandra Merícia Oliveira Teixeira O feriado do 5 de Outubro convidava a fazer algo diferente. Pensámos numa caminhada, não muito exaustiva, em jeito de despedida do Verão. Decidimo-nos pelo Miradouro da Boca das Voltas, com passagem pelo Pico do Arco de São Jorge que diziam ter vistas fantásticas. Lá estávamos, numa breve pausa antes de retomarmos a descida, quando se começou a ouvir o trabalhar de um motor, um ruído potente que se intensificava e denunciava a chegada de um carro que não contava com outros visitantes, Nós. "Afastem-se porque vem um carro!", disse instintivamente um de nós. Afinal não era um carro, mas sim dois, dois jipes esbaforidos da Nissan, à procura de adrenalina, num verdadeiro desafio à potência dos carros e à habilidade dos seus condutores, dois homens na casa dos trinta e muitos, quarenta anos. Tudo estaria bem se, de facto, estas pessoas (cinco num jipe e quatro noutro, se não estou em erro), fossem amantes de TTVerde e apreciadores da Natureza, como nós inicialmente pensámos. Mas a realidade revelou-se outra: numa atitude de total desrespeito por quem lá estava, os jipes não abrandaram o seu andamento, saíram do caminho florestal e furaram arbustos para fazerem as manobras de inversão de marcha em "habilidade". Atitude mais reprovável teve o condutor do último jipe, de cor preta e com referência à Ronda dos Castanheiros no seu pára-brisas, que de traseira virada para nós, estupidamente carregou fundo no acelerador antes de arrancar, projectando brita solta que lá existia junto à entrada para a antena da RTP e uma nuvem de fumo e pó em nossa direcção (para depois não conseguir fazer a curva, obrigando-o a entrar uma vez mais na vegetação que ladeia o caminho). Não, nenhum de nós foi atingido, porque a sorte esteve do nosso lado, mas são absolutamente lamentáveis atitudes desta natureza. Falta de civismo e de responsabilidade para com outros apreciadores das serras da Madeira, e falta de respeito pela Natureza. Porquê? Para quem aquele exibicionismo? Para nós, que felizmente apenas fomos atingidos pelo fumo, ou para os jovens que iam no banco detrás dos jipes, e que possivelmente tomarão esse comportamento como um exemplo? Como todos nós somos responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que fazemos e por aquilo que deixamos fazer, resolvi não deixar passar este episódio. Descrevo-o para fazer um apelo àqueles condutores em particular e a todos os adeptos de TT: todos nós temos o direito de usufruir da Natureza, portanto há que preservá-la; há muitos apreciadores das caminhadas pelas serras da Madeira, logo há que contar com a presença de outros caminhantes; o civismo aprende-se com exemplos, logo a preocupação deve ser dar bons exemplos, sobretudo se estamos na presença de jovens ainda em formação!