Vivemos numa época altamente mediatizada, onde o cidadão tem ao seu dispor inúmeros meios de obter a informação, de forma rápida e em grande quantidade. Tal não significa qualidade na informação obtida, porque a contra-informação, o boato e quem os põe a circular têm também na actualidade muitos mais canais para fazê-lo, nomeadamente as redes sociais. Vem esta conversa a propósito, da passada quinta-feira, dia 21 e das fortes chuvas que se registaram no Funchal. O Presidente da Câmara e eu próprio, tivemos inúmeras intervenções para as rádios e televisão e em todas elas pedíamos que os cidadãos adoptassem uma atitude calma e que se mantivessem nas suas habitações ou locais de trabalho, a não ser naqueles que evidentemente oferecessem algum perigo. Disse também que não se dirigissem às escolas para buscar as suas crianças. As Escolas, na sua esmagadora maioria, são edifícios novos, robustos, com professores e funcionários responsáveis e amigos dos alunos, onde existem valências importantes como cantina, posto de primeiros socorros, grandes reservatórios de água e por tudo isto são sítios seguros para deixar as crianças. De forma oposta, a circulação rodoviária e pedonal, principalmente nos arruamentos que ladeiam as linhas de água (ex: Rua 31 de Janeiro), bem como junto da sua foz (ex. Avenida do Mar), apresenta em situações extremas um risco elevado. Um outro problema, prende-se com a capacidade de mobilidade dos veículos de emergência e brigadas de intervenção. Quando juntamos o elevado número de carros que circula, mais os cortes de estradas, mais os acidentes que acontecem, o resultado é o caos, logo bombeiros, polícias e outras equipas de intervenção não conseguem acudir quem deles precisa. Assim e em síntese, sigam sempre os concelhos das entidades competentes e não embarquem em boatos que surgem sempre nestas situações e adoptem comportamentos racionais de auto-protecção. Por fim, o fenómeno do voyeurismo, que hoje em dia também assume um carácter mediático. Os agentes de protecção civil têm uma rede própria, denominada SIRESP, contudo todos estes agentes utilizam paralelamente as redes móveis e fixas, acima de tudo quando têm de comunicar com o cidadão que realmente precisa de ajuda. No passado dia 21 as redes das operadoras funcionaram muito bem, mas durante cerca de uma hora estiveram muito congestionadas, se calhar muitas delas com "mms" e "sms" de voyeurs que mais não têm que fazer que mandar imagens e filmes do nível das águas.
Bruno Camacho Pereira - Vice-presidente da CMF