Aproxima-se do final a minha missão neste fantástico País, cuja população nos enche diariamente com inúmeras autênticas lições de vida. A capacidade do Angolano transformar dificuldades em energia na busca de motivação para a sua difícil vida, é algo incrivelmente inexplicável. Não vou enumerar a quantidade de obstáculos que este povo transpõe para diariamente carregar um incondicional sorriso afastando todas as possíveis reacções depressivas normais de quem vive o que estes vivem, pois não quero correr o risco de ser considerado um critico sobre as suas condições de vida. Disseram-me um dia sobre Angola que ou se Ama ou se Odeia, e não haja duvida que este é realmente um País que não deixa ninguém indiferente, não só pelas belezas naturais mas essencialmente pelas virtudes das suas gentes. Quanto ao Girabola, aproxima-se do seu termo, e apesar de neste momento o título ser uma autêntica miragem para a maioria do grupo que ao longo da época "brigou" por um lugar no topo da classificação, e com algum orgulho patriota que vejo cinco dos primeiros seis clubes da tabela, terem "sangue Português" nos seus comandos. Álvaro Magalhães (Inter), Mariano Barreto (Libolo), Bernardino Pedroto (Petro de Luanda), Dinis (Asa) e ainda incluo a equipa técnica do Primeiro de Agosto, composta pelo Drulovik e Maki. O Primeiro fez a sua carreira em Portugal, no Gil Vicente e posteriormente de forma mais mediática ao serviço do Porto e Benfica, e o segundo (Maki) foi jogador do Marítimo entre outros clubes do Continente onde iniciou a sua carreira como treinador. Termino com uma referência a uma conversa que tive com o meu amigo Nelson Caldeira dias antes de partir para África. Este insistia com uma inabalável certeza, (contrariando os meus seguros planos) afirmando que após esta experiencia em Angola, eu não voltaria de imediato à Madeira e daria sequência a minha aventura "fora de portas" por mais algum tempo. Não costumo falhar muito nos meus prognósticos, e ainda mais quando se trata de planos para a minha vida pessoal ou profissional, mas sou obrigado a dizer, tinhas razão Nelson, ainda não é desta que eu volto a minha saudosa Ilha da Madeira, que tanto tenho promovido junto das amizades que vou construindo por onde vou passando.
João Luís, Treinador