Nos últimos tempos temos ouvido falar cada vez mais sobre a necessidade que a Madeira tem, como região ultraperiférica, de apoios externos permanentes. O argumento é que temos constrangimentos permanentes e, por isso, precisamos de apoios permanentes. Sem estes, dizem, a Madeira não consegue manter o nível de riqueza e de qualidade de vida de que temos usufruído nas últimas duas décadas. Ou seja, partimos do pressuposto que não temos, nem vamos ter, capacidade para gerar a riqueza suficiente para garantirmos o padrão de vida actual, pelo que dependeremos eternamente de apoios externos. Ora, neste quadro, julgo fazer todo o sentido que nós, madeirenses, nos coloquemos as seguintes questões: Acreditamos mesmo, no contexto de cada vez maiores incertezas que vive o mundo, que a UE e o país irão manter eternamente a motivação política e, acima de tudo, a capacidade financeira para apoiar a região? E mesmo se não for eternamente, que pelo menos estes apoios se manterão por muitas décadas? Acreditamos mesmo que alemães, ingleses e outros parceiros da UE vão continuar disponíveis para suportar o esforço destinado a manter o nosso nível de vida? Mas, mais do que responder às questões anteriores, impõe-se perguntarmo-nos: Será sensato manter a crença em tais possibilidades? Da resposta, convenhamos, resultará a nossa própria visão para o modelo económico de futuro. Em suma, acreditamos ou não, que temos capacidade de encontrar modelos económicos que garantam a produtividade necessária para mantermos o nosso actual nível de riqueza e de poder de compra sem apoios externos? Espero que sim! Porque se persistirmos na crença dos apoios eternos é porque não acreditamos verdadeiramente na nossa capacidade e na nossa determinação autonomista. É simples e factual: Sem autonomia financeira, não há valores autonómicos que vinguem. Há que optar! O que valorizamos mais? A autonomia, ajustando o nosso nível de vida à nossa capacidade produtiva, ou viver acima das nossas posses assumindo a nossa dependência resignada a um conceito virtual e meramente demagógico de autonomia? E esta questão leva-nos inevitavelmente a outra: Um povo que vive permanentemente de apoios terá, no longo prazo, ambição, força e determinação para defender valores autonómicos? A Portugal coloca-se, cada vez mais, a mesma pergunta, no âmbito da sua soberania. É tudo uma questão de valores e opções!
João welsh, Empresário