No primeiro governo Sócrates os portugueses suportaram as exigências do Programa de Estabilidade e Convergência europeu o que não obviou a que estejamos novamente agarrados à cauda da Europa. Portugal padece de uma doença crónica que foi avivada pela conjuntura internacional adversa que nos tirou a tanga com que Durão Barroso nos deixou. Não podendo emitir moeda nem desvalorizá-la para assim aumentar a liquidez interna e a competitividade das nossas exportações ficámos amarrados à estratégia da UE, que nem sempre é coincidente com a nossa. Durante anos a fio sugámos os milhões da solidariedade europeia, que foram sendo dissolvidos na nossa economia a qual, em vez de ganhar músculo, criou barriga a alguns e vícios a outros, temos agora de pagar a factura dessa esperteza e lá vai o povinho, outra vez, apanhar na cabeça. Uns aprendem, outros nem por isso, os de cá continuam a dar aos de sempre o benefício da dúvida - que já não existe - sem terem a coragem de experimentar novas soluções. Ao Governo, de lá, que acabe com os jobs for the boys and girls, ao de cá, que faça o mesmo e tenha a decência de utilizar, finalmente, a autonomia para fazer mais e melhor. Implemente o tal "Governo Social" que prometeu e remedeie o mal que fez: as prioridades mal definidas e as decisões mal tomadas. Deixem respirar o povo, deixem de em nome de Portugal tirar dinheiro aos pobres, para em nome de Portugal darem dinheiro aos ricos. Chega, é preciso mudar, tanto os de lá como os de cá.
Jaime Leandro, Técnico superior do TC