A chuva voltou a cair desalmadamente e não se pode dizer que tivesse sido sem se esperar. O que não se esperava é que aquelas duas horas de água, na quinta-feira, pusessem a nu tudo o que não foi feito, nos oito meses que levamos de lamentações e de sofrimento após o 20 de Fevereiro. O povo, que paga impostos e delega nos seus eleitos a resolução de problemas básicos, exige que se providencie tudo o que for necessário para que as ribeiras não tragam, por aí abaixo, tudo o que a incúria amontoa, por aí acima. Exige que as adufas 'respondam' e que o Funchal e as outras localidades não fiquem entupidas sempre que chover algo mais que o normal. Provavelmente, o povo terá também o direito a exigir que, logo após a chuvada, a primeira preocupação de alguns eleitos não seja ver qual deles retira maiores proveitos mediáticos do triste espectáculo que não souberam precaver. Há que dar a cara e responder na hora da aflição. Depois, haverá muito tempo para avaliarem vaidades ou cobardias. Entre eles. O que as pessoas quererão saber, desde já, é se vão ter de abandonar as lojas e os seus empregos para fugir, novamente, da próxima vez que chover um pouco mais. Quererão saber, pela certeza, se voltarão a confrontar-se com esse prodígio da 'autonomia das escolas' que pôs professores a despacharem alunos - "telefonem aos vossos pais para vos virem buscar" - quando a situação recomendava evitar o caos de educadores a saírem atónitos dos seus afazeres e crianças aflitas sem conseguirem contactar os pais. Esperemos que não sejam necessários outros oito meses para delinear coisas tão simples. É que pode chover antes... E se não tivesse chovido, talvez a questão mais premente da semana fosse reflectir sobre o futuro imediato do desporto madeirense. Chegados aqui, 20 anos depois, notamos que o núcleo duro que prosperou em torno da gestão pública do desporto madeirense é praticamente composto pelas mesmíssimas pessoas. Houve uns vogais e uns presidentes que foram saltitando de cargo para cargo, mas sem nunca 'largar o osso'. São os mesmos. É legítimo perguntar porque não planearam, porque não propuseram reformas dos modelos, porque não avisaram da caducidade que estava à vista, porque não prepararam uma espécie de 'phasing out' para as loucuras colectivas que a política incentivou, com dividendos próprios. Essa era a sua missão, esse era o seu dever. Não, não vale a pena voltarem a argumentar que o líder não lhes daria ouvidos. Então, o que andaram a fazer estes anos todos? É que parece que não é nada com eles... MIGUEL ALBUQUERQUE, PRESIDENTE DA CÂMARA DO FUNCHAL Há quem não goste nada das suas aparições, mas Albuquerque faz questão de estar sempre presente quando se impõe ouvir a sua voz naquilo em que é o primeiro responsável. E é nessas alturas que as pessoas querem ouvi-lo. MIGUEL NUNES, NOVO CAMPEÃO REGIONAL DE RALIS Há muito tempo que Miguel Nunes esperava a confirmação que chegou ontem, curiosamente na sua terra. O novo campeão regional viu premiada a sua persistência, o que revela também outras qualidades. MIGUEL FIDALGO, JOGADOR DE FUTEBOL Deixou a Madeira com alguma mágoa, mas concentrou os seus objectivos noutras paragens. Esta época está a confirmar os seus dotes no clube que o acolheu - a Académica - e ontem voltou a ser decisivo. MIGUEL MENDONÇA, PRESIDENTE DA ALM Dirige a primeira instituição da Madeira, a tal que anuncia um orçamento em que os partidos vão receber um bolo maior, no ano em que a maioria dos portugueses é chamada a reduzir salários e a ficar sem apoios sociais. Intolerável! TEÓFILO CUNHA, PRESIDENTE DA JUNTA DE SÃO JORGE Prometeu e está a cumprir: esta sexta-feira, o autarca de São Jorge distribuiu as verbas da Junta pelos melhores estudantes e ainda premiou o nascimento de bebés e ajudou os mais idosos com um total de 3.300 euros.

Agostinho Silva, Subdirector