A maioria apercebeu-se enfim da vida escabrosa imposta à imprensa. E decidiu funcionar. Perante a desaforada política 'controleira' do governo para dominar jornais e moldar a informação, levantam-se bravos deputados do PSD obrigando... gestores de jornais privados e jornalistas a 'prestar contas' do raio de serviço que andam a fazer. Ajuizou mal a oposição ao propor uma comissão para inquirir o GR, autor da guerra civil. E o PSD trocou algozes por perseguidos. Ora agora os comunas dos jornais a incomodar o nosso 'sua excelência'! E assim os 'barões do cimento' mantêm viva a chama que ilumina a Madeira nova! Numa região normal, os jornalistas é que questionariam Coito Pita, Jaime Filipe e demais membros da comissão inquisitorial acerca das práticas do parlamento que levam 16 milhões por ano ao descarnado povo. Por exemplo o capítulo das incompatibilidades. Perguntar-lhes o que é isso de deputados a trabalhar nos tribunais com leis congeminadas por eles próprios. Como é isso de gestores privados no activo liderarem comissões de economia. Numa democracia digna, seriam os deputados a responder aos desabafos públicos que sugerem comparações com a Sicília. Casos de empresários, fora do universo laranja, impedidos de fechar um único negócio na sua terra. Cartas anónimas com pressões a companhias exteriores porque o representante escolhido cá desagrada ao cabotino maioral e seus autómatos. Exemplo do ignóbil procedimento deu-se há uma semana: um madeirense que não verga ao regime de crápula recebeu de fora a notícia do fim de um contrato, à conta do instinto de revindicta instalado nas esferas mandantes. Os inquisidores da comissão deviam também comentar os apertos a administrações de bancos em Lisboa para obrigarem os delegados regionais a rever as 'companhias'. Seria interessante ouvir os comissários do inquérito sobre os tachos que premeiam cabos-de-guerra caídos na aborrecida reforma, mesmo à custa de queimar lugares em vereações. E o linchamento aplicado a críticos internos da maioria que têm preferido desligar-se da 'família'. Como nas organizações secretas. Os deputados deveriam explicar por que não fiscalizam os suicidas actos financeiros do governo, com o comboio descarrilado tão perto do abismo. Não será certamente por se fiarem na engenharia do auto-intitulado James Bond das Angústias. Para iludir problemas e práticas incómodas, os ilustres deputados inventam expedientes como o de interrogar jornalistas - os quais, como se compreende, já tremem de medo e não dormem desde a apavorante medida do PSD. Chefe acusa jornalistas de fazerem política e desafia-os a disputar eleições. Mas é ao contrário. Os jornalistas não politicam, o poder político é que está no jornalismo. Então, que se mostre às claras. Mas apareça sem os milhões do erário na manga. Faça um jornal que viva de receitas próprias. Venha palmilhar a poeira da estrada em busca das notícias e das reportagens que geram receitas. Angarie anúncios sem direito a oferecer espaço ao preço da copiosa chuva que voltou a encher as ribeiras quinta-feira. Venha o 'sua excelência' e tudo esgrimir com armas iguais. Qual! O busílis não está aí. Pluralismo verdadeiro só quando o indivíduo é director de um jornal e simultaneamente presidente, deputado e líder parlamentar do PSD-M. Como aconteceu no PREC, até 1978. Independência é isso. Entretanto, a abulia geral que leva os ilhéus a deixarem-se tratar como pacóvios permite ao chefe eternizar-se com a sua mentalidade velha, cristalizada, embrutecida e impermeável às ideias que não lhe cheguem de gatas. Sabe que os que o rodeiam não raciocinam, obedecem. Conta com a sua despersonalização calculista. Por seu lado, sem ponta de autonomia intelectual, os títeres agarram-se às mais cavilosas argumentações para defenderem o indefensável em nome do capricho do chefe - porque ser fruidor das delícias da 'Madeira nova' tem custos na dignidade e na consciência. Dominado o sistema, chefe dá-se ao luxo de gozar os conterrâneos justificando políticas trogloditas com misteriosos e ridículos perigos apontados à Madeira. O exemplo mais recente envolve a banca. A denúncia propalada pelo espadachim das Angústias agrega certos bancos à cabala mundial anti-sua excelência. Serão levados à fogueira um a um, certos bancos - palavra de chefe. O ambiente está minado, contaminado. Há veneno maçónico disseminado por aí. Sinistros olhos e ouvidos trilaterais perscrutam as esplanadas do Apolo e do Café Funchal. A oposição insular, colaboracionista, é central de informações pró-avental. Jornalistas ressabiados, a soldo das agências de rating, adensam o clima de efervescência. Bruxas transformadas em nuvens espessas e negras espreitam acasteladas sobre a capital, ávidas por abrir comportas a novas enxurradas e por atear mais incêndios florestais, empolgadas por oito meses de imobilismo reconstrutor. Operacionais furtivos aguardam ordens para subir o Infante e derrubar o sujeito da cadeira abaixo. Civis que criticam o chefe, deformação psíquica reveladora de transtorno de personalidade causado por traumas sociais graves, ajudam à festa gargalhando para confundir os autonomistas social-democratas. O traquejo da teia inimiga, e apesar do serviço investigativo do abalizado Carlos Machadinho, tem impedido '007' de identificar um único maçon. Em 30 anos de denúncias, nem um nome! Assim como, com centenas de jornalistas a entrar na profissão e a encerrar a carreira, chefe não conseguiu indicar ao menos um dos comunas infiltrados na Informação, um assalariado dos súcias, um avençado, enfim, um desses sicários e magarefes que nasceram para arreliar o 'sua excelência'. As forças do mal, porém, têm muito trabalho pela frente. Ainda acabam sentadas diante da comissão de inquérito. O James Bond das Angústias tem sete vidas.