Alguns dias atrás ouvi numa entrevista um designer de moda português referir a propósito da Colecção Primavera/Verão 2011, que na conjuntura actual, a Moda quer-se fácil. Numa primeira abordagem considerei a observação pertinente, consonante com o ritmo de vida que a população em geral tem. Realmente a Moda quer-se fácil. No entanto dei por mim a reflectir sobre alguns aspectos aos quais este termo se aplicaria na moda actual e interroguei-me: a moda quer-se fácil em quê? Fácil pelo seu conceito ou fácil na escolha do que cada um veste? Pelo seu conceito, as tendências mais reconhecidas da actualidade são inspiradas na década de 80, que, na história da moda, é tida como a década da ostentação, da experimentação, onde imperava o exagero e o consumismo, e que a única regra traduzia-se em ser-se diferente e ousado. Também nesse período os mercados financeiros do ocidente estavam em franca ascensão, reinando uma sensação de sucesso e de conquista. Actualmente a realidade parece-me ser outra, mas concretamente o que conta como tendência na Moda é a inspiração tendo por referencia esse período. Um outro aspecto seria a facilidade na escolha do que vestir. Efectivamente as proporções do corpo humano, ao longo dos tempos, não se alteraram assim tanto, alteram-se sim as proporções do vestuário que o indivíduo escolhe e que irá reflectir uma determinada imagem, sendo que a noção de corpo em relação às novas proporções de vestuário nem sempre são as mais correctas. Considero que a informação em excesso, quando não devidamente sustentada, confunde as pessoas no que vestir e nas proporções adequadas que o vestuário a utilizar deverá ter, mostrando falta de bom senso nas escolhas feitas. Assim a utilização do termo "fácil" no que às escolhas diz respeito não seria o mais correcto, talvez o termo "simples" o fosse. Realmente a Moda quer-se fácil, difícil é ter bom senso para escolher.
André Correia, Estilista