Manuel João Baptista Rosa Quem, à noite, por acaso, passar junto das nossas principais escolas públicas facilmente concluirá que as mesmas são frequentadas por um número de alunos muito reduzido. A diminuição, relativamente há vinte e cinco anos atrás, deverá ter atingido os 80%. Ora, isto num país que precisa de formação técnica, como de pão para a boca, é uma tragédia pois trata-se de um desperdício de estruturas, físicas e humanas, que existem e, portanto, devem ser aproveitadas. As razões para esta situação são várias mas, na minha opinião, poderá ser revertida se se tomarem as seguintes medidas: 1ª Reformulação dos currículos, tornando-os mais curtos ou seja, apenas com as disciplinas indispensáveis ao domínio das ferramentas básicas de uma profissão. As de cultura geral devem ser pura e simplesmente banidas pois não é o momento adequado. 2ª Alteração dos programas por forma a que o seu conteúdo corresponda unicamente aos conhecimentos necessários. 3ª Os professores devem ser os mais experimentados, tanto no domínio dos conhecimentos como no da sua comunicação. As duas vertentes são complementares e indispensáveis. 4ª Os cursos devem incluir estágio nas empresas e no local de trabalho, associado à profissão, devendo prolongar-se por todo o tempo curricular do curso e com programa adequado. 5ª Os cursos devem ser validados por diploma reconhecido pelo Ministério do Trabalho e não pelo da Educação. 6ª Deverá haver legislação específica que incentive a população activa e as empresas à formação contínua. 7ª Todos os desempregados com fundo de desemprego devem ser obrigados a frequentar estes cursos com assiduidade e aproveitamento sob pena de verem o subsídio ser cortado. 8ª Os professores devem ser objecto de formação permanente a qual consistiria na liberdade de acumulação no sector privado pois é a única maneira de evoluir correctamente trazendo essa mais valia para dentro da escola, eliminando desta forma as despesas do Estado com a sua formação. 9ª A gestão destes cursos deve ser entregue, exclusivamente, aos professores mais experimentados na área respectiva e não a quaisquer outras pessoas. 10ª Os currículos devem ser elaborados e revistos pelos professores e por representantes das empresas e não por equipas do Ministério. Aqui está uma lista de medidas que julgo adequadas e exequíveis.