Na mudança do modelo económico regional há um ponto essencial sobre o qual tem de assentar a criação de um novo paradigma de governo: a transparência das leis da concorrência, o que pressupõe regras económicas, financeiras e sociais claras, ou seja, o respeito e valorização do trabalho e do mérito, como é próprio de uma Economia moderna. Ora, não é isso que acontece na Região. No tempo do Estado Novo, havia a chamada "Lei do Condicionamento Industrial" que servia para eliminar a concorrência interna às empresas existentes em cada ramo. Na Madeira vive-se uma espécie de "Lei do Condicionamento da Influência", em que alguns agentes têm facilidades informais que estão vedadas aos outros. Vivemos, portanto, numa "economia dual" em que uns têm vantagens não por causa da competitividade dos seus projectos mas devido às suas influências. Esta lógica dualista de tratamento das empresas prejudica a saúde da Economia. O que leva a concluir que o aprofundamento da Democracia política é essencial à mudança do modelo, ou seja, precisamos de Democracia económica. Na ilha de Cuba, Fidel, um octogenário, teve a lucidez de dizer que o seu regime, de mais de quatro décadas, está esgotado. Na Madeira, Alberto João Jardim, quase septuagenário, ainda não teve a lucidez de entender que o seu tempo passou. Ora, só há uma saída para esta situação de impasse em que nos encontramos: a "Convergência na Acção" das forças sociais e políticas. O regime do PSD conduziu ao bloqueio do sistema político, o que teve como consequência ao esgotamento do modelo económico e social. Por tudo isto, propomos o instrumento do referendo como meio de desbloquear o sistema político através da intervenção democrática dos cidadãos. O desafio está lançado. Esperamos que não haja medo de os ouvir. O POVO tem a palavra.

Jacinto Serrão, Líder do PS-M