“Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”. Não é preciso conhecer Sócrates, o filósofo, para dar valor ao conhecimento. Nem é preciso ser doutor para entender o que é que milhares de homens, sábios de senso comum e de vida, quiseram dizer com frases como: “A herança que deixo aos meus filhos são os estudos”.

Mas há que prefira cuspir na razão e ignorar o legado que deixa às gerações vindouras. Há quem vire costas à educação, fingindo que não interessa ou interessa pouco. Há quem prefira tratar a escola com ignomínia e desfaçatez. Quem olhe para as paredes dos edifícios, com o espírito de corta-fitas profissional e não veja o potencial de aprendizagem que extravasa o betão. Dar ensino não é só construir mais escolas, não é alargar o 12º ano a qualquer estabelecimento de ensino, nem tampouco atribuir bom administrativo a todos os docentes, retirando o mérito e entusiasmo a quem ensina bem e premiando a letargia.

Privilegiar a educação não é ir às escolas pedir boas notas como prova de superioridade de um povo (só isto já tem muito que se lhe diga) e depois passar uma borracha sobre a realidade nua e crua. “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz”, dizia Platão.

Em 15 escolas da Madeira onde foram feitos exames nacionais do secundário, apenas cinco tiveram médias positivas. Estamos na cauda do país. Na Região continua-se a sacudir a água do capote. A assobiar para o lado. "Lá se foi o tempo em que nós nos impressionávamos com as coisas feitas em Lisboa", foi a reacção do presidente do Governo Regional. Pelos vistos é recíproco. Há muito que por cá ninguém se impressiona com o que vem da Madeira, salvo o Cristiano Ronaldo.

As estatísticas valem o que valem, é certo. A Madeira não tem nenhuma escola no ranking das 150 com melhores notas nos exames nacionais do país. Mas para Alberto João Jardim não é importante. É melhor falar de coisas boas, como as mais de 4000 inaugurações feitas ao longo dos mais de 30 anos de poder. Mas também essas, para muitos, não passam de números.