Os estudantes portugueses do ensino superior terão que apertar ainda mais o cinto. A exemplo do ano transacto, vão esperar algum tempo para saber o resultado final das candidaturas às bolsas do ensino superior. Se, no ano passado, a razão da longa espera derivava da nova forma de apresentação das candidaturas, este ano a razão tem a ver com a aprovação do novo regulamento para atribuição das bolsas, que prevê uma descida do número de bolseiros e exige a discussão das normas técnicas, um processo demorado e que, neste momento, ainda decorre. O desconhecimento da data prevista para a conclusão dessas normas preocupa todas as famílias, que suportam despesas no ensino superior, obrigando-as a um esforço ainda maior nestes tempos difíceis. O Ministério da Ciência e Tecnologia do Ensino Superior decidiu atribuir os pagamentos da primeira prestação a todos os candidatos à bolsa de estudo sem a realização das análises das candidaturas à bolsa, desde que tenham sido bolseiros no ano passado, aliviando assim as situações mais preocupantes. Os Serviços da Acção Social da Universidade da Madeira já concretizaram a transferência para a conta bancária de 730 estudantes candidatos à bolsa de estudo da UMa. Esta medida tem aspectos negativos pois, o uso desta primeira prestação pode, de qualquer forma, preocupar os estudantes que não tenham a certeza do resultado da sua candidatura à bolsa, e mais tarde tenham que devolver a prestação. Chegamos à conclusão que a crise afecta todos os sectores, e que o acesso e frequência ao ensino superior não são excepção. O Ministério da Ciência e Tecnologia do Ensino Superior garante que estas medidas não afectarão os mais carenciados, prevendo até um acréscimo no apoio aos mesmos. Assim aguardamos.

João Nascimento, Estudante Universitário