Estar ou não estar em linha. É a frase da moda. Pronuncia-se mais em inglês do que em português. Bem, não se pronuncia totalmente em inglês, pronuncia-se utilizando vocábulos ingleses que entraram no nosso dia-a-dia nos últimos anos. Hoje são pronunciados instintivamente, duma forma permanente, pelos mais novos, mas também pelos mais velhos, e fazem parte de um novo grupo de palavras sem pátria e sem dono, que se internacionalizaram facilmente, e que chegaram com a era dos computadores e com a descoberta da Internet. Quem não acompanha as novas tendências, em qualquer actividade, corre o risco de ficar marginalizado, de ser preterido na corrida que se desenrola num cenário que , por vezes, parece inatingível, sem palco nem morada e sem pouso certo. Corre e percorre o mundo, todas as ruas e esquinas de urbes de culturas desconhecidas e variadas, passa pela casa de todos, mostra segredos, abre corações... leva tudo, mostra tudo, e permite a oferta, confina o pacote e sugere a escolha. Hoje ao decidir-me pelo tema e ao alinhavar estas palavras lembrei-me da grande resistência que, ao longo da última década, muitos agentes de viagens mostraram em relação à Internet. Todos os anos, nos congressos da APAVT, discutia-se a grande ameaça da Internet no negócio das agências, invocava-se o anonimato da outra parte, o risco de estar a negociar com alguém que não se conhece, de não haver um interlocutor da parte do vendedor, quando a transacção se faz por Internet, o que poderia resultar em algum dolo para o consumidor. Eram (e são) razões pertinentes, que merecem atenção e, sobretudo, uma grande ponderação quando se decide optar por tais negócios. Na verdade o que aconteceu é que muitos ficaram a falar e a conjecturar, à espera que o tempo voltasse para trás... Afinal a Internet venceu e as pessoas avisadas e melhor formadas viajam hoje utilizando também os meios que a Internet lhes colocou à disposição, em que se incluem também os portais das agências de viagens e dos operadores turísticos, além das companhias aéreas, que foram muito mais rápidas neste processo das vendas electrónicas. O que eu pretendo vos dizer é que a Internet tem hoje uma importância que já não é relativa. A importância da Internet é hoje fundamental, real e concreta nas nossas vidas, no trabalho, nas viagens, no relacionamento social, mas sobretudo na divulgação, no anúncio e na mensagem que se pretende divulgar. Hoje no Funchal, teremos uma conferência internacional de um dia dedicada ao Turismo, às novas tendências do mercado, à nova forma de fazer promoção. Análise, discussão e conclusões. Da retórica e da dialéctica das intervenções resultará algum entendimento. As conclusões que ajudarão os profissionais a redefinir procedimentos, a tomar novas opções ou – e acontecerá certamente – a confirmar que alguns seguem o rumo certo. Contudo, ainda a caminho da conferência, um dos oradores convidados já abriu a boca e disse que a Madeira não tem portais com força, que se distingam da mediocridade ou dos blogues artesanais e inexpressivos de alguns particulares, que levem o destino com mais força para fora da ilha, que percorram com ambição o mundo digital com resultados positivos e maior eficácia. Afinal, o que ele quererá dizer é que nós, madeirenses, menosprezámos essa ameaça, que conhecemos, mas não nos unimos para enfrentá-la e aparecer na linha da frente dessa corrida. Faltou-nos aquela força de alguns pais dos velhos tempos, muito velhos mesmo, mas a imagem ajeita-se aqui, que abonecavam as filhas para casarem bem. Temos uma pretensa noiva que é bonita – vamos esquecer alguns defeitos que entretanto ganhou com o desgaste do tempo – e não temos força e ambição de a levar pelo mundo além,de mostrá-la a um noivo interessado e de boas famílias (se for rico ainda melhor...). Antes um bom portal que vários portais. No entanto, uma coisa é certa: neste âmbito não há meias medidas. Ou estamos 'on' ou estamos 'off line'!
'On' ou 'off line' ?
A força que a Internet assumiu na divulgação da mensagem ou na promoção de qualquer produto é indesmentível. Vejamos...