A selecção acalmou. Com a saída de Queiroz, que só inventou; com a entrada de Paulo Bento, que não inventou; e com o anúncio de eleições na Federação, embora tudo deverá ficar na mesma. A selecção, que não sendo uma grande equipa é uma boa equipa, voltou às vitórias. Para isso bastou colocar os jogadores no seu sítio e arejar aquele ambiente pesado que se vivia. Este é o grande mérito de Paulo Bento. Um bom treinador para o momento presente, mas que terá de provar ser o grande líder que a selecção precisa para o futuro. Podemos ainda assegurar a qualificação. Claro que sim e acho que vamos consegui-lo. Seria um escândalo não nos qualificarmos no grupo onde estamos inseridos. Mas o risco agora é elevado, porque não há a mínima margem de erro. Muito por culpa da actual direcção da Federação, que, afinal, irá ser reeleita, ao que dizem, em Janeiro próximo. Vale tudo no futebol português. A mais de um mês de distância do Porto-Benfica, a 7 de Novembro próximo, já o jogo tinha começado. Fora das quatro linhas, claro. Que é onde os portugueses são verdadeiramente bons. E até um treinador que inventou um penalty, que ninguém viu, já teve de pedir desculpas, pelo ridículo que foram as suas declarações logo após um jogo. Fala-se muito, agora, do Fundo Monetário Internacional - FMI. Pois a UEFA também irá impor um FMI futebolístico com as novas regras financeiras que os clubes terão de cumprir. Se o Liverpool já teve de ser vendido aos americanos para pagar uma dívida de 320 milhões de euros, mais vale prevenir do que remediar. No Comité Executivo da FIFA vendem-se votos a peso de ouro para a escolha dos países organizadores dos Mundiais de 2018/2022. É a corrupção no futebol ao mais alto nível. Se a FIFA não toma medidas e punições severas neste caso, corre o risco de descredibilizar totalmente esta grande indústria que é o futebol. O Marítimo soma e segue. Apesar do balão de oxigénio que foi a merecida vitória na Naval, seguindo em frente na Taça de Portugal, continua a contratar jogadores às catadupas, sem qualquer estratégia desportiva visível, para quarenta e cinco dias depois já os despedir. Agora foram os dois gregos. É preciso parar, reflectir e encontrar um novo rumo desportivo, agora que terá instalações do melhor que há.
Rui Abreu, Chefe de Gabinete da CMF