Anda todo o mundo a pensar como é que se vai safar depois de Janeiro, com aquelas reduções nos ordenados e os limites tão baixinhos das deduções para o IRS do próximo ano, enquanto o principal personagem deste Portugal (Presidente da República) vai alertando para os cuidados a ter com as dificuldades que muitos portugueses irão sentir com toda esta austeridade. Vai alertando e vai rindo, porque quem recebe duas reformas e um ordenado (num total de mais de 10 mil euros) e não prescinde de nenhuma delas não tem moral nenhuma para dizer seja o que for. Da mesma forma o nosso Presidente do Governo Regional, que tanto se diz amigo do povo e solidário com todos os madeirenses, consegue ter a lata de receber uma reforma (de algo que penso nunca ter feito) e um ordenado porque sempre o vi como presidente do governo, andando também pela dezena de milhar de euros. O exemplo que também nos dá a mais alta figura da Região, para além da bonita idade e da bonita reforma, Miguel Mendonça ainda leva o ordenado de presidente da Assembleia Legislativa. Ainda há quem pense que ameaçar cidadãos dentro do parlamento com cadeia tem graça, só mesmo quem se safa dela porque não há justiça cega. E poderíamos passar pela Horários do FunchaL ou por alguma Sociedade de Desenvolvimento onde aposentados recebem a reforma, ordenado e despesas de representação, para também como outros reformados dourados tirarem o lugar a licenciados que estão aos balcões ou supermercados. Tenham vergonha e vão gozar os dias que faltam… Em todo o País há reformados dourados que ocupam lugares proeminentes na administração de empresas públicas ou com estatuto público empresarial, levam reformas que dariam para pagar salários a mais de 30 trabalhadores, para além dos vencimentos principescos que recebem. Uma vergonha e uma rotina para todas as classes políticas que passam pelo poder. O que se vê são políticos ricos e que acabam com grandes tachos e vencimentos 20, 30 ou 50% acima da média europeia. Não se compreende como é que um português tem um ordenado que fica 25 a 40% abaixo dos seus colegas de outros países, mas os directores e administradores têm tratamento privilegiado. É fácil compreender como se enriquece e ajuda alguns amigos a fazê-lo. Não é à toa que o orçamento das Assembleias dos "eleitos" representam um autêntico regabofe em tempos de austeridade. Num País ou numa Região onde mais de 20% são pobres, os governantes passearem com veículos topo de gama não é um insulto, é um roubo. E roubam-nos contando com o voto nas próximas eleições, já não têm vergonha nenhuma na cara. São assaltos sem arma a um povo que não reage, que só quer safar-se. Não conseguem emagrecer a despesa pública porque teriam que emagrecer os ganhos, os privilégios e outras mordomias. Falta-nos a coragem do povo francês, tirando a violência, para protestar estas enormidades. Falta-nos a coragem para mandar todos os ladrões embora, de uma vez.
Paulo Gomes