José Fernandes No dia 7 deste mês, um familiar de 77 anos de idade, com várias limitações de saúde, desde a locomoção à memória, tinha RE(marcação) para a consulta de neurologia às 18 horas. Digo RE(marcação) pois esta consulta já deveria ter sido efectuada em Maio, porém, uma funcionária administrativa do Hospital, telefonou a desmarcar com a alegação de que o Sr. Dr. estava de férias nesse dia.

Mas, o facto é que, mais uma vez, a consulta não se efectuou. A utente deslocou-se ao Hospital com todas as suas dificuldades, entrou no consultório e o neurologista (Dr. Duarte Noronha) limitou-se a dar as suas justificações sobre o motivo pelo qual não a atendia. "… Já não tem direito à consulta desde 2007…esta hora destina-se a outros atendimentos… ". Nem o apelo da utente "O Sr. Dr. não me diga que não me vai atender?", nem a minha argumentação, tocaram o "coração" deste profissional.

Algumas objecções se colocam: Se a consulta foi marcada (e pode provar-se no sistema informático) é porque havia vaga. Se alguém errou neste procedimento, então seria mais prudente apurar a situação para que, de futuro, ela não se repetisse … Mas, recorde-se, o Sr. Dr. não atendeu a utente, portanto, teve um momento "livre" naquele espaço que estava reservado à consulta do meu familiar. Contudo, na senda da produtividade, deverá ter sido obrigado a fazer algum registo clínico com a respectiva fundamentação. Assim sendo, questiono: Onde está o sentido de responsabilidade, a humanização, a observância dos princípios deontológicos e todos os requisitos indispensáveis às boas práticas deste médico? Ser capaz de despender algum tempo com justificações, vendo uma pessoa à sua frente que mal se segura de pé, e não ser capaz de a atender… Esta foi, sem dúvida, uma atitude, desumana, lastimável, inconcebível e inqualificável, de um profissional que integra uma "empresa" (SESARAM) que assume ter a missão de "Facilitar o acesso aos serviços; "Contribuir para a melhoria da eficiência do desempenho dos prestadores", entre outros.

O hospital alarga consultas para as dezoito horas, mas a vontade deste médico atender foi bem "curta".