Não posso deixar de começar pelo acontecimento funesto que ensombrou o Verão deste ano, no Porto Santo. Nem quero fazê-lo, principalmente por respeito a quem sofreu e a quem ainda sofre com isso. Refiro-me à queda da tristemente famigerada palmeira que na noite de 22 de Agosto ceifou a vida a uma pessoa, ferindo outras duas com gravidade, uma das quais recentemente falecida. As fatalidades acontecem. Não têm data, nem hora, nem local. Infelizmente, não possuímos bolas de cristal para as prevermos. Tudo isto é verdade. Contudo, como em tudo na vida, é crucial estar atento aos sinais em redor, e é também essencial procurar ter a sapiência de os bem interpretar. Talvez encadeados pela controversa iluminação pública do centro da cidade, as entidades responsáveis não viram bem, nem à luz do dia, o que muitos viram: a palmeira inclinada. Doente. Pois, daí a sua inclinação! O que provocou a queda? Talvez uma conjugação de factores. Abrem-se inquéritos, fazem-se biópsias, chega o relatório e toma-se a decisão: cortem-se as palmeiras doentes! A medida pecou por tardia. Como se costuma dizer: "casa arrombada, trancas na porta". No nosso pequeno paraíso, parecia difícil acontecer o que aconteceu. Mas aconteceu. Lamentavelmente. Para uns, tratou-se de uma queda inesperada. Para outros, de uma queda anunciada. É imperativo tirar ilações deste infortúnio. Saibamos pois, trabalhar todos com humildade, para que a nossa ilha recupere e continue a granjear fama do lugar seguro e tranquilo que é.

Renata Sousa, Vereadora do PS na CMPS