Temos que conseguir que as “empresas” sejam a alma da dinâmica da economia e inovação regional. Não podemos parar, senão caímos. Como é do nosso conhecimento o desafio que se coloca hoje em dia à Madeira, é o de conseguir com que as “empresas” sejam a alma da dinâmica da economia e inovação regional. Só assim poderemos alcançar patamares dinâmicos de progresso, ultrapassado que quase está, o ciclo das grandes infra-estruturas. As nossas empresas têm que estar focalizadas cada vez mais no Cliente. Cliente final ou cliente internacional e não cliente Estado – Providência. Os tempos estão a mudar como se previa e, por esse mesmo motivo a hora competitiva e da mudança, está aí. A aposta nas Empresas, é decisiva. Tendo em vista o impacto e as perspectivas do Orçamento de Estado para 2011, a situação sócio económica negativa deverá perdurar pelo menos por mais 4 a 5 anos, a tendência de subida de custos em particular no domínio do acréscimo dos encargos financeiros, é já uma realidade actual, pelo que a deterioração da situação financeira das nossas empresas, tenderá a se agravar, facto que nos poderá conduzir para cenários muito mais graves, que os actuais. Por esse mesmo motivo há que ter uma estratégia pré definida, há que avaliar os riscos mas, temos que avançar porque não podemos ficar à espera. Do lado das políticas, elas têm que ser reorientadas para facilitar os dispositivos de regulação e inovação do mercado interno e, para apoiar as empresas na conquista de mercados externos, a exemplo doutros Países e Regiões pois, não temos muitas mais hipóteses. Não podemos estar parados. Infelizmente com as intempéries de 20 de Fevereiro passado, as reconstruções podemos ter algum efeito multiplicador na economia mas, 3 /4 anos passam bem depressa. E, depois? Todos nós sabemos que a situação financeira está muito difícil, até porque os Bancos estão a limitar a concessão de crédito, às empresas. Por esse mesmo motivo, a nossa primeira prioridade deverá estar focalizada nas acções que visem o “arrumar da casa”, facto que releva que as estratégias de reestruturação e de modernização mínimas, são essenciais. Simultaneamente, temos também que reforçar a internacionalização, também com recurso a uma política dos sistemas de incentivo financeiros. Importa relembrar a todas as Empresas, que o acesso nomeadamente aos apoios comunitários neste momento é crucial, não tanto pelo incentivo financeiro mas acima de tudo, porque existem linhas de crédito associadas a esses mesmos financiamentos, com taxas de juro muito competitivas. Os Bancos não nos podem limitar o crédito, até porque estão também a “arrumar a casa” à custa dos privados e empresas, por esse mesmo motivo temos que avançar com as linhas negociadas pelo Estado, Região e/ou Associações Empresariais, afim de conseguirmos taxas mais competitivas. O Governo Regional da Região Autónoma da Madeira negociou por exemplo, a linha Proinvest para todos os sistemas de incentivo comunitários regionais com as instituições bancárias, a qual assegura bonificação das taxas de juro tendo como referência média, um spread médio de 2%, quando sabemos que os Bancos já solicitam spreads, acima dos 6%. Também com o apoio da linha de crédito nacional, Invest VI podemos também “ arrumar a casa” pois, financiam não só as despesas de fundo maneio e reforço de capitais permanentes, como também financiam novos investimentos incluindo, de acesso à internacionalização. Naturalmente que os requisitos são muito técnicos e a melhor opção do sistema de incentivos financeiro a utilizar, depende naturalmente das especificidades de cada empresa/projecto, pelo que as competências de consultoria, são também relevantes no apoio às empresas. Por outro lado, a maioria dos sistemas linhas de crédito permitem minimizar o impacto das garantias que os Bancos solicitam às empresas, porquanto as mesmas beneficiam de uma garantia mútua, que pode ir dos 50% a 80% da dívida no caso de start ups criadas ao abrigo do sistema EMPREENDINOV, o que potencia que mesmo os projectos que estimulam a inovação, ou a óptica do empreendedorismo, sejam desenvolvidos. Os prazos de pagamentos nos diferentes sistemas de incentivo também são de médio longo prazo, porquanto as mesmas podem variar entre os 6 a 12 anos, podendo em certos casos, existir período de carência inicial de 1 a 2 anos. Temos que ter acesso ao crédito, temos que avançar com capitais próprios mínimos face a projectos e/ou acções concretas, temos que solicitar cada vez mais apoio às Associações Empresariais e, estas por sua vez, têm que estabelecer com o Governo Regional as prestações de serviço necessárias, para que os seus associados possam ultrapassar este desafio. Como afirmou o conhecido economista Michael Porter, quem compete nos mercados são as Empresas e não os Governos e/ou Organismo Públicos e, por esse mesmo motivo, é crucial o papel das Associações Empresariais e as parcerias público privadas que possam desenvolver, em função de soluções específicas. Não podemos esperar, temos que avançar e participar também nos negócios da diplomacia económica nacional, duma forma estruturada. Ainda há muito dinheiro disponível nos Programas comunitários nacionais e regionais, até porque as taxas de execução financeira a nível regional e nacional ainda são muito baixas e, por esse mesmo motivo, os sistemas de incentivo às empresas se necessário, deverão ser reforçados, para que passos mais ambiciosos possam ser tomados e assumidos, pelas empresas. Todos sabemos que o mercado da Madeira é limitado, que o ciclo das grandes infra-estruturas tende a acabar, pelo que sabemos que temos que ser locais e globais. Não nos resta muitas outras hipóteses, a não ser que o portfólio de diversificação de negócios na Madeira, seja já aceitável e sustentável.

Pedro Ventura, Empresário