O Orçamento para 2011 consagra o divórcio absoluto entre o Governo e o Povo que devia representar! Sócrates diz que o fez com um "aperto no coração" mas que é para garantir um futuro melhor - mas como é que Portugal pode ficar melhor se o Povo fica pior? Sócrates escolheu um caminho! Penalizar os já penalizados! Cortar salários e pensões! Aumentar IRS mesmo sobre quem recebe pensões de miséria! Aumentar preços de medicamentos, anunciando cínicamente uma baixa de 6%, mas cortando nas comparticipações e acabando com os medicamentos gratuitos para os Idosos! A somar a isto aumenta o IVA, mesmo sobre produtos essenciais, o que se vai traduzir num aumento de preços e diminuição do poder de compra das famílias! E já se sabe que os maiores cortes na despesa orçamental são nos Ministérios da Saúde, da Educação e do Trabalho e Solidariedade Social! As consequências serão saúde mais cara, menos condições de acesso ao ensino e mais cortes na solidariedade social para a qual todos descontamos! Bem pode Sócrates acenar com uma revisão da Constituição em que promete ensino gratuito até ao 12º ano - promessas leva-as o vento, mas é o presente que conta! Ganhar menos, descontar mais e receber menos do Estado é a receita do Orçamento! Tudo para equilíbrar as contas, corrigir o défice e satisfazer os mercados, isto é, as agências de rating, responsáveis pela grande crise financeira que estão sob investigação do Senado dos EUA e que agora especulam com a dívida dos Estados a soldo dos Bancos! O Governo escolheu - contra o Povo para satisfazer os poderosos! É errado ficarmos suspensos do voto do PSD no Orçamento! Se o fazemos não discutimos o essencial: - há ou não outro caminho para sanear as Finanças Públicas? Há, mas não se discute! Querem impôr que é inevitável sacrificar o que de mais precioso tem um País - o seu Povo - esquecendo-se que menos poder de compra dá menos consumo, mais encerramentos de Empresas, mais despedimentos, enfim, mais crise! Há outra saída defendida por vários economistas! Corte na aquisição de bens e serviços do Estado em 10% é poupar 728 milhões de euros; corte nas despesas de capital em 20% é poupar 1.120 M de euros; diminiur subsídios e indemnizações compensatórias às EPs é outra poupança; etc.. E ainda, eliminar a despesa fiscal, corte em Institutos e Fundações fantasmas e inutéis e medidas na política do medicamento, poupança de 3.150 M de euros; orçamento de base zero em 2012, reestruturando e cortando em todos os gastos inutéis, poupança de 4.500 M de euros; Imposto sobre a PT, mais valias bolsistas e sistema financeiro, aumento da receita em 2.000 M de euros. Este é o único caminho que não sacrifica quem trabalha e trabalhou no País e na Região e garante desenvolvimento futuro. O do Governo é de alastramento da pobreza e de mais recessão!
Paulo Martins