Importante instrumento para implementar os tão desejados hábitos culturais na população, no entanto o que se tem vindo a observar em certas ocasiões é que os eventos, sejam eles de carácter popular ou erudito, acabam por não corresponder aos princípios que levaram à sua implementação, pois continua-se a verificar acentuada separação entre tipos de públicos no qual o evento está associado, mantendo-se desta forma e para os munícipes as mesmas experiências culturais e sociais associados que estão às suas vivências diárias. O programa do Município de Cultura poderia e muito bem ser utilizado para possibilitar a um maior número de munícipes, usufruírem do acesso gratuito a determinados eventos que de outra forma nunca o teriam. Lembro-me por exemplo do recente evento, integrado no Município de Cultura de Santa Cruz, Festival Jazz do Garajau, em que o acesso era pago e que com certeza muitos dos residentes no concelho não o puderam usufruir. Por outro lado, o que se verifica neste tipo de evento, é que tanto o programa como o público presente é repetitivo comparativamente a outros do mesmo género que acontecem durante o ano na nossa região. De forma a democratizar eventos destes, e integrados que estão no programa dos Municípios de Cultura, devia-se ter em consideração, por exemplo, a realização de um ou mais espectáculos extras, trazendo os idosos e crianças do concelho, por forma a que estes pudessem desfrutar de novas experiências e quem sabe registar para sempre nas suas vidas a passagem do seu concelho como Município de Cultura.

Luís Guilherme de Nóbrega, Professor