Em Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, em tempo de profunda crise económica e social em que a única "promessa" dos responsáveis pelo poder político regional é a de que a aplicação das medidas de combate ao chamado deficit levará a mais e maiores dificuldades para as famílias madeirenses, será tempo de nos interrogarmos acerca das escolhas e das prioridades que foram sendo determinadas por quem sempre governou. As últimas três décadas do regime, trouxeram muito betão e asfalto, alguma aparência de desenvolvimento mas no essencial continuamos a ser governados por prioridades que não colocam os cidadãos em primeiro lugar. Todos os indicadores apontam para o aumento de fenómenos de pobreza sobretudo entre aqueles que são sempre os mais vulneráveis: os idosos, as crianças e as famílias monoparentais. Estudos a sério e unicamente sobre a realidade regional não existem porque isso obrigaria à assunção de compromissos mas o pouco que temos já nos dá a certeza do muito que é necessário mudar. Lá se vão chamando estudos a uns quantos levantamentos das medidas e acções em matéria de Segurança Social mas tudo o que é apresentado faz parte apenas do discurso panfletário tão típico do regime. As dificuldades, essas, continuam a fazer parte do quotidiano da esmagadora maioria: pôr comida na mesa, pagar contas que são a única coisa que cresce, contornar a doença e dar estudos aos filhos. Porque esta é a prioridade dos cidadãos, esta tem também de ser a prioridade dos que governam e assinam compromissos com palavras bonitas em dias como hoje, é preciso inverter as prioridades e colocar a educação, a saúde, a criação de emprego, o apoio social em primeiro lugar.
Isabel Cardoso, Professora