A crise e as medidas de austeridade também vão afectar o desporto, nomeadamente o futebol. Uma modalidade que em Portugal sempre viveu acima das suas capacidades financeiras. Na região, os principais clubes são subsidiados pelo Governo regional ao abrigo de um contrato-programa que para esta temporada ainda não foi celebrado. A grande questão é saber até quando vão aguentar os clubes com as finanças apertadas numa situação que vai afectar, se já não afecta, o pagamento do salário dos jogadores. Para além das contas negativas e do dinheiro que não entra, o adepto, fruto do apertar do cinto, vai afastar-se do seu emblema aumentando o efeito de bola de neve nas contas do clube. E se o adepto não pode consumir futebol, o investidor não vê interesse em publicitar o seu produto, caindo mais uma fonte de receita. Este problema será transversal a todas as modalidades pondo em risco seriamente a continuidade dos campeonatos. Não será de admirar que as faltas de comparência possam acontecer, principalmente quando pelo meio existe uma viagem entre as ilhas e continente e vice-versa. Pode ser que seja desta e que os tão falados tectos salariais para o desporto rei comecem a ser aplicados, uma medida que é apreciada por Mitchel Platini, presidente da UEFA. Na proposta do orçamento de estado para 2011 há uma redução para o sector do desporto em 1,9 pontos percentuais, o que se traduz numa quebra de 2,5 milhões de euros em relação a 2010. Do total dos 72,8 milhões apenas 13,6 são provenientes directamente do estado. Uma das acções a desenvolver em 2011,destacadas pelo Governo, é o programa de marcha e corrida, uma preocupação interessante para a prática de hábitos de vida saudável. Ou seja se as medidas de austeridade implementadas por este governo não forem suficientes para descer uns furos no cinto sempre pode correr com o primeiro-ministro. Mas ele que vá bem à frente, porque se o agarram…..

David Sousa, Jornalista