Todos ouvimos falar do "Big Brother", criado por George Orwell no livro "1984", que controlava a liberdade e privacidade do seu povo. Lutamos pela nossa liberdade, mas facilmente abdicamos da nossa privacidade através de ferramentas como o Facebook. Porque até é divertido. Parece que as forças do mercado e da sociedade tentam empurrar-nos para o futuro que Aldous Huxley descreveu no "Admirável Mundo Novo" (que devia ser leitura obrigatória) onde todos viviam obcecados com a beleza, com a juventude, com o prazer e havia tantas alternativas para a distracção que ninguém tinha tempo para pensar a sério em nada. Talvez corremos nessa direcção: temos TV, VoD, Blackberries, Facebook, Internet, Twitter, Consolas, DVDs, CDs, iPhones, iPads, iPods e até o "velho" solitário no PC. Como podemos ter tempo para as "coisas mentais de difícil digestão"? Gostamos de diversão fácil, já mastigada e digerida. E muitas vezes a Cultura dá trabalho: temos que pensar, interpretar, interiorizar. A aceitação da Cultura (tal como a Diferença) requer um processo de (des)construção por força de um pacto educativo crítico. A sobrevivência das actividades culturais exige público com apetência e curiosidade. É uma guerra que não pode ser apenas dos Agentes Culturais, do Governo ou dos Artistas. É também das famílias, dos educadores, das empresas. Assim como os bons hábitos alimentares. Porque a cultura é alimento para o espírito. Por ela edificamos os nossos espaços identitários.

Roberto Macedo Alves, Desenhador de BD