A Madeira conta com três fontes de rendimento: o turismo, a construção e o offshore. Na minha perspectiva, destes, apenas o turismo é sustentável. Mas é sustentável apenas se tomarmos medidas nesse sentido. Estas medidas nem sempre parecerão simples, mas resumir-se-ão, em última análise, a "o que queremos fazer no futuro?". E as opções não são muitas: ou nos dedicamos ao turismo, e teremos de fazê-lo bem, ou vamos todos emigrar. Julgo que a opção pelo turismo terá de ser pela qualidade, na medida em que não temos dimensão para o turismo de massas. Temos de, em contracorrente, lutar pelo aumento dos proveitos por visitante. Não é concebível que se estejam a vender camas a preço de saldo. E não só é inconcebível porque não pode permitir cobrir custos, mas porque hipoteca todo o futuro do destino. É mais uma das muitas situações em que resolver - mal - um problema presente, leva a problemas acrescidos a prazo. É muito mais fácil descer os preços que aumentá-los posteriormente. O grande desafio para o turismo da Madeira não está em crescer. Está em tornar-se mais pequeno, mais qualificado, mais diferenciado. É preciso que haja coragem para abandonar a perspectiva do número de clientes para começar a pensar naquilo que cada um deles gasta e, idealmente, conseguir com menos clientes um maior rendimento. Mesmo que para isso algumas unidades - e particularmente as de maiores dimensões - fechem e sejam adaptados para outros fins.
Roberto Loja, Guia-intérprete