Os impostos vão subir. Os cidadãos vão levar uma grande machadada nos seus direitos. Garantias? Há muito que não existem. Mas há numa pequena parte do território, no Atlântico plantado, que prefere centrar as atenções em assuntos ‘deveras mais importantes’. Não é o povo, que esse está preocupado em pagar as contas, mas a classe política, que insiste que o mal da Madeira é não ter autonomia que chegue. As ilhas têm, neste momento, poder que chegue para minimizar a austeridade no bolso insular. Isso não quer dizer que o consigam fazer, como a oposição habilmente exige. Pelo menos por cá. Não podem porque a autonomia é muito boa como arma de arremesso político, resulta bem no púlpito parlamentar, mas na prática é metida na gaveta enquanto se governa uma região com contas de mercearia e sem margem para o que importa.

Então o que se faz? Reivindica-se mais, que a receita, a bem dizer, tem dado resultados. E o que é mais autonomia hoje?, pergunta o leitor mais desatento. É extinguir o cargo de Representante da República, que é o grande mal da Madeira e dos madeirenses. É isto que o PSD-M continua a apregoar hoje. Não interessa que os eleitores nem saibam o que é o Representante da República e que funções desempenha. Que desconheçam o actual titular do cargo. O presidente do Governo Regional admitiu mesmo viabilizar um Orçamento de Estado mau para o contribuinte, mau para qualquer português, a troco da revisão constitucional, a troco do fim deste cargo. Uma parte da oposição alinha na romaria e também exige que se corte este mal pela raiz. Das duas uma: Ou é seguidismo ou tem um objectivo obscuro, que é acabar com o argumento do PSD, para que finalmente se fale do que importa aos cidadãos.

É que ao contrário de Catão antigo, que durante as guerras púnicas entre Roma e Cartago acabava aos seus discursos com a frase ‘Delenda Cartago est’ (É preciso destruir Cartago) eu não acredito que o PSD queira mesmo extinguir o cargo de Representante da República. Mas se calhar o melhor é desta vez trocar-lhe às voltas e (des) fazer-lhe a vontade. Ter um inquilino em São Lourenço não é o problema, mas tirá-lo de lá pode ser a solução. Por isso ‘Delenda’ Representante!