Cidadania passa por querer e saber actuar, mas antes de mais é preciso compreender… O desporto, para além de tudo o que para aí se diz e de alguns disparates que se pensam, é, sem dúvida, um revelador dos homens e mulheres que nele actuam. Se soubermos ver comportamentos e não só as aparências com que estes comportamentos se mascaram e camuflam, conseguiremos perceber aspectos surpreendentes. O desporto é um meio privilegiado de transformação do Homem. O que fazemos ou deixamos de fazer (o treinador, o professor, o dirigente, o político, o jornalista…) tem implicações no tipo de Homem e de sociedade que se constrói. Em muitos casos, os resultados da nossa acção ou inacção só serão visíveis a médio e longo prazo. Mas uma coisa é certa, todos vamos pagar, directa ou indirectamente, o preço do que foi bem ou mal feito. Hoje facilmente compreendemos isso, mesmo que por vezes alguns não o queiram assumir. Assim, o mérito das opções adequadas e a responsabilidade das erradas deve poder ser assumido e apontado de forma clara e sem demagogia. Porém, não basta ter vontade de o fazer ou legislar para que tal aconteça. É essencial possuir os conhecimentos e as competências necessárias para compreender funcionalmente os fenómenos e saber intervir de forma rentável, ou seja, considerar as variáveis em jogo e utilizar os meios e o tempo disponíveis da forma mais adequada. Nas próximas crónicas daremos exemplos daquilo que acabamos de equacionar, estabelecendo pontes com a política, a economia, a educação, a ciência, a comunicação social, etc., já que em todos estes campos, tal como no desporto, o elemento central é sempre o Homem.
Helder Lopes, Professor universitário