A emigração de madeirenses volta a ser tema nos meios de informação. Na verdade, está a repetir-se um dos ciclos da vida económica regional. Os madeirenses não encontram nas ilhas do arquipélago (nem ao longo da sua vida encontraram) saídas profissionais e trabalho (emprego) suficientes. Está a chegar ao fim o ciclo das comparticipações europeias que possibilitaram a construção das grandes vias de acessibilidade, que permitiram a edificação da maioria das obras estruturantes da Região Autónoma. Mesmo assim, com recurso a muita mão de obra importada, já que no sector da construção civil e das obras públicas faltaram-nos os homens e os que existiam sentiram-se, nalgumas vezes, preteridos a favor de um operariado mais dócil, que chegou de Leste e de África, sem horas para descansar, sempre às ordens dos capatazes e outros técnicos que também importámos. A emigração volta a ser a solução. As condições são outras. Agora vamos exportar conhecimento e pessoas capacitadas. Os jovens licenciados estão partindo para outros países, onde encontram emprego compatível e salários mais interessantes e de acordo com as competências que ganharam e souberam desenvolver. A Madeira volta ao ciclo da Emigração e do Turismo. As mesmas actividades (ou fontes, se preferirem) que nos anos setenta e oitenta do século passado tinham alguma força na economia regional. Só que agora é diferente: os que foram antes mandaram de volta para a ilha que nada lhes dera alguma da riqueza que produziram nesses países. Os que partem agora, levam saudade mas um espírito aberto e uma vontade grande de abraçar projectos universais. Voltarão qualquer dia de férias. Entretanto, no sector turístico perdemos os quadros. As empresas admitem os mais baratos, os que, infelizmente, por premente questão de sobrevivência, não podem reivindicar as posições a que têm direito ou os salários que merecem. Tudo devido à crise. Uma crise de mentalidades e de más opções que desperdiça quadros, que deixa sair da terra os mais capazes. É o mercado do conhecimento que não sabemos gerir, são as competências que não sabemos gerir. Uma prática que se generaliza e que se reflecte na qualidade de serviços. Os competentes emigram ou estão desempregados, substituídos pelos sobrinhos e afilhados sem competência, pelos assalariados sem gosto ou brio, pelos funcionários que aguardam impacientemente a hora de fecho de turno. O ciclo repete-se, também, por incompetência nossa. Qualquer resposta ou solução é desculpada, a reboque da crise. E para garantir uma hipótese futura não convém fazer muitas ondas. Ei-los que partem!