
A proposta de revisão da Constituição que será apresentada pelo PSD-M ao Parlamento nacional até tem interessantes contributos para a IV República, como é o caso da previsão da possibilidade de serem apresentadas candidaturas de grupos de cidadãos às assembleias da República e legislativas regionais ou ainda a criação dos partidos regionais. Mas o plano de boas intenções cai por terra quando, a par de algumas medidas que potenciam a democraticidade e a cidadania, surgem outras que vão no sentido contrário e ensombram uma Autonomia que deve estar ao serviço do povo e não pode servir de banquete ao partido do poder.
A avaliar pelo ‘roda, roda, vira, solta a roda e vem’, este filme arrisca-se a ser uma fábula em curta-metragem. Desta vez, o PSD-M faz de Capuchinho Vermelho que leva o farnel à Autonomia (faz de avozinha mesmo que não tenha idade para isso). Na cestinha, vai a proposta de revisão constitucional pronta a ser devorada pelo lobo mau, cujo rosto se revela à medida que vão sendo lançadas ideias que em nada contribuem para a felicidade da pobre Autonomia. Uma merenda onde entre a regionalização da justiça, a extinção da Entidade Reguladora da Comunicação Social, depois das frustradas tentativas de criação do cargo de Presidente da Madeira e da proibição das organizações comunistas, só pode ser considerada uma boa iguaria para alguém com um apetite devorador ou com uma fome insaciável... de poder. Se ingerisse este pratinho de 'bifes’ a avozinha ficava com a barriga ‘enpadeirada’! E não queremos isso para a nossa Autonomia.
Na verdade, eu não consigo ler nesta proposta de revisão constitucional a consagração das legítimas aspirações do povo madeirense. Nas entrelinhas está, aliás, bem expressa, a ansiosa vontade da maioria que sustenta o Governo Regional a garantir instrumentos que permitam perpetuar o poder dentro do mesmo casulo onde se legisla, se promulga, se executa e se julga. E assim não vamos lá.