A economia portuguesa vive com quatro grandes problemas: o crescimento económico, o deficit orçamental, a dívida pública e o desemprego. Actuar, isoladamente, sobre cada um deles, é mais do mesmo, é adiar uma solução e prolongar o sofrimento que vitima, há muito, todo o país. Assistiu-se, em antecipação à apresentação do Orçamento, ao anúncio de um conjunto de medidas que visam, essencialmente, o combate ao deficit orçamental e, em certa medida, à dívida pública, optando-se por um caminho que nos conduzirá a uma grave, e inevitável, recessão económica e ao agravamento do desemprego, procurando, exclusiva e cirurgicamente, iludir quem nos pressiona externamente, negligenciando as grandes reformas estruturais. Esta é a forma de governar em Portugal! Em Portugal, governa-se com o horizonte de um ano, sem uma orientação estratégica que se sobreponha aos Orçamentos do Estado. Em Portugal, o Orçamento do Estado é mais interessante do que a Conta do Estado. Em Portugal, o que se promete vale mais do que aquilo que se concretiza. Em Portugal, governa-se sem que os intervenientes da governação sejam responsabilizados pelas suas decisões, como acontece com os decisores no sector privado. Em Portugal, governa-se pelo ciclo eleitoral e não no ciclo eleitoral. Em Portugal, subordina-se a economia ao interesse da política. Em Portugal, a política não é um fim do interesse comum mas um meio para o desejo individual... Em Portugal, substitui-se quem governa pela melhor mentira que vier. Portugal é um exemplo acabado de que o desenvolvimento não se faz só com uma revolução mas da evolução. O predomínio daquela em relação a esta transformou a nossa democracia numa partidocracia, em que o esbater das ideologias deu lugar a uma política pobre, sem sentido comum, moribunda, sem crédito e, cada vez mais, sem o respeito de quem ainda a tem que sustentar.
Eduardo Jesus, Economista