José Luís Reis Sendo a disciplina uma das bases da sociedade, esta terá de ser cultivada para que no futuro se possa colher os seus frutos. O que se passa na actualidade com a nossa juventude, é mau presságio para que será o futuro do nosso planeta. É por demais chocante, o que nos é dado a conhecer através da comunicação social, de relatos de factos perpetuados por indivíduos que, na flor da idade, são capazes dos actos mais hediondos. Dirá o "eloquente", com toda a sua natural frieza: "é a juventude dos nossos dias". Que eu saiba, e julgo não ser o único, em todos os tempos houve juventude com toda a sua saudável irreverência. Porém, confundir irreverência com vandalismo é demasiado leviano, pouco recomendável e como tal poderá se tornar perigoso. O que levará os nossos jovens a tais procedimentos? Seremos nós, adultos, demasiado permissivos? Será um certo tipo de demagogia ilusória com a qual, algumas vezes, tentamos fugir a realidade dos factos, por uma questão de puro comodismo? Em minha opinião (que tem o valor que possa eventualmente merecer), não sou nem penso ser o dono da verdade, há muitas dúvidas e poucas certezas no que concerne a tão delicada problemática. O que é notório nos nossos dias é o facilitismo. Na maioria das vezes, por parte dos pais que, por quererem fugir a longas conversas, tentando explicar aos seus jovens que é preciso lutar por aquilo que se deseja e que nem sempre é possível alcançar, fazem-lhes as vontades e julgam eles tudo fica resolvido. Quando e por qualquer motivo lhes seja recusado um determinado desejo, e porque não estão habituados, irá se despoletar um espírito de revolta que, poderá eventualmente levar a frustração e consequentemente a violência. Em certos casos, por incapacidade, negligência ou acharem "chique", recorrem aos psicólogos, para que estes resolvam situações que deveriam ser eles próprios a fazê-lo. Tudo isto à sombra duma espécie de democracia implementada neste país por indivíduos de ideias dúbias e parcas no sentido da responsabilidade cívica que se deseja; como tal, leva a que confundam democracia, no seu sentido lato, com libertinagem. O contacto entre eles, reveste-se duma violência verbal inaceitável, mesmo na presença de elementos do sexo feminino, o que seria impensável na minha e em gerações anteriores. Os que não se guiam pelos mesmos parâmetros são, de certa forma, marginalizados e vítimas duma certa agressividade psicológica e mesmo física em determinadas situações. Será importante lembrar que estes jovens, num futuro, terão de tomar decisões, algumas das quais de crucial importância para com a comunidade em que se encontrarem inseridos. Imitar o que não se deve e o paradigma da nossa condição humana. Porém, é imperioso que se estimule a nossa capacidade mental de adultos que somos, de forma a incutir na nossa juventude, as regras básicas e fundamentais com vista a sociedade civilizada a que todos nós ansiamos.