Como ainda sou do tempo quando o CS Marítimo, CD Nacional e CF União, formaram grandes equipas compostas basicamente por jogadores madeirenses, e bem melhores do que as que actuam a nível nacional, treinavam a 'céu aberto' no campo do Almirante Reis e noutros espaços que 'inventavam' pela cidade, faz-me uma certa confusão a 'institucionalização' dos treinos à porta fechada. Não foi certamente pelos serviços de espionagem nos treinos do Marítimo e Nacional que o 'União da Bola', andou a dar banhada 7 anos consecutivos desde a temporada 1955/1956 até 1962/1963; muitos menos pela contra-espionagem que o Marítimo foi campeão nacional em 1921/1922 e ganhou 12 anos ininterruptos o campeonato da Madeira, de 1944/45 a 1955/56, e o Nacional festejou 8 títulos regionais. Mas nesses tempos da outra ditadura, talvez por ser o futebol um dos ópios do povo…segundo os grandes pensadores o fado e a religião, também, como factor alienante…ninguém falava treinar à porta fechada, pois havia as 'amplas liberdades'. Aí então, o mais importante era os jogadores. Tanto assim que o Gonzalito a comer bolos de arroz foi Campeão da Madeira pelo Marítimo. Os jogadores jogavam, decidiam e resolviam, com a sua criatividade, competência e inspiração. Agora não sei se é por causa de ninguém ver os barretes que contratam ou pelo futebol aritmético de régua e esquadro que treinam à porta fechada. Para melhorar a qualidade do espectáculo não é certamente. Façam as coisas para ganhar a empatia dos adeptos do futebol, porque os tempos que aí vêm são difíceis e a torneira poderá secar. Então, não haverá ditadura que resista e a porta fechar-se á de vez. Quem semeia ventos colhe tempestades….

Miguel Justino, Repórter