Em 2001 eram mais de 5 mil os idosos que viviam sozinhos na Madeira e Porto Santo. Quase dez anos depois o número deve ser ainda mais assustador. Sem família, sem amigos, com filhos emigrados ou simplesmente porque foram abandonados pela vida, são cada vez mais as pessoas que, depois de décadas de trabalho e de dedicação a isto ou aquilo, se vêem confinadas a quatro paredes, tendo apenas a televisão ou um animal como companhia ou, na pior das situações, sendo vítimas de violência física ou psicológica. Vivem sós, muitos sem condições de dignidade, recorrendo às ajudas externas para conseguir sobreviver. De fora, dos desconhecidos, dos serviços que se tornam mais familiares do que as próprias famílias, vêm as ajudas. Os banhos, os cuidados de enfermagem e até as refeições. Mas a altura é para cortar nas despesas e a Segurança Social já admitiu que não conseguirá manter o nível actual de apoios por muito mais tempo. Mesmo assim crescem as listas de espera. Para os lares, para o serviço de ajuda domiciliária, para o serviço de refeições ao domicílio que começou apenas este ano e que já garante a alimentação a 300 idosos da Madeira. A sociedade e cada um de nós não podem continuar a fechar os olhos a uma realidade que é de todos: a do envelhecimento. A continuidade da nossa história também se faz com os exemplos do passado, com aqueles que nos deram a mão e nos ajudaram a crescer, e com o futuro que se perspectiva, lá longe ou mais perto. É certo que a idade pesa, mas quando o peso é suportado por todos, o fardo é bem mais pequeno.
Ana Luísa Correia