Miguel Santos A habitual coluna da social-democrata Sara André não costuma conter reflexões ou pensamentos profundos sobre a política madeirense ou nacional, limitando-se geralmente na mera defesa do seu partido usando argumentos que não raras vezes, na minha opinião, são pouco coerentes e demasiado parciais. Contudo o artigo intitulado Crise da República, embora mantendo a génese daquilo que constitui o artigo típico de Sara André, contém alguns pontos 'curiosos'. Primeiro a surpresa por um membro do PSD-M assumir a sua concordância com as medidas de austeridade recentemente anunciadas pelo Governo da República. Isto de facto constitui uma novidade! Mas Sara André vai mesmo mais longe ao ponto de criticar o PS-M por segundo ela terem afirmado que a Madeira não necessitaria de ir tão longe nas medidas de austeridade. Apesar de na minha interpretação o PS-M ter afirmado uma coisa bem diferente - o que o PS Madeira afirmou foi que a autonomia que a região tem devia de servir para alguma coisa e nomeadamente para a criação de um pacote de medidas de austeridade que se adaptem melhor à situação concreta da Madeira (se é para fazer tudo igual ao governo da República porque andamos nós a pagar àqueles senhores que se sentam na Assembleia Regional??) - esta afirmação torna evidente a nova estratégia do PSD-M. Após décadas de uma gestão esbanjadora por parte do Governo Regional - as marinas e os parques industriais que continuam às 'moscas', as fortunas mal gastas pelas 'Sociedades de Endividamento' e os subsídios ao desporto profissional apenas para enumerar alguns factos - que originou um deficit gigantesco na região, o PSD-M vê neste pacote de medidas de austeridade a possibilidade de proceder aos cortes que, por receio do impacto que teria nos resultados eleitorais, se vinha recusando a fazer. Desta forma vai tentar como sempre sacudir a 'água do capote' dos seus 30 anos de governação e afirmar que a culpa desses cortes é toda do Governo da República. Mas assim sendo fica provado que o Governo Regional é incapaz, nestes tempos difíceis, de criar um pacote próprio que com coragem e criatividade acabem com o esbanjamento reinante que criou e limita-se a aplicar as medidas que o Governo da República tomou. Apesar de julgar que existem medidas de fundo que deviam ser tomadas para reduzir o deficit que não foram tomadas - por exemplo a fusão e extinção de institutos e empresas públicas (e onde se incluem as Sociedades de Investimento da região) e a redução das chefias e altos cargos nas mesmas - noto a diferença entre quem tem coragem para tentar atacar o problema e quem não tem. Finalmente realço a referida parcialidade de Sara André: se o PS supostamente não sabe governar porque o País está neste estado o que dizer então do PSD-Madeira que colocou a Madeira nesta situação de endividamento gigantesco hipotecando gravemente o futuro da nossa região?