Leitor devidamente identificado A propósito de saúde na região vou-vos contar uma conversa de autocarro que me deixou perplexo: "Como os tempos estão difíceis, consegui inscrever, com muito dificuldade, a minha filha nos serviços de medicina dentária, no Centro do Bom Jesus. Na data marcada, o médico viu-a e fez o selamento de quatro dentes e disse-me que não podia fazer nesse dia a higienização, mas que eu marcasse com a assistente uma nova consulta. Esta começou por dizer que não tinha agenda, que estava tudo cheio, que teria que aguardar por nova oportunidade de marcação, que telefonasse para ver quando podia ser. Pelo telefone foi impossível chegar à fala com qualquer assistente daquele departamento médico. Dir-se-ia que era domingo, e que o serviço estava fechado! O que, de certa maneira, era compreensivo pois a assistente que lá está, sozinha, não pode chegar a todo o lado, ao mesmo tempo! Perante a impossibilidade de fazer a marcação pelo telefone, pedi autorização no meu chefe, no serviço, para lá ir pessoalmente. Depois de muita conversa, sempre à volta do tema da agenda, de que já tinha tido uma consulta e havia muitas outras prioridades a serem atendidas, lá consegui que me marcassem para Dezembro próximo, não a consulta pretendida, mas sim a vez para poder marcar a consulta no citado Centro de Saúde. Espero que não me venham com outros estratagemas para novos adiamentos! O meu filho mais velho já vai a um médico privado, porque já ultrapassou a idade limite, mas gostaria que a minha filha fosse atendida ali. O dinheiro dá cada vez para menos…Sabe como é! Há dias passei-me. Não é que uma pobre mulher do Campanário, que trazia a filha à consulta do dentista, atrasou-se 15 minutos e já não a quiseram atender. Isto não se faz! Vem uma pessoa de longe, pagando transporte de autocarro, a menina deixou de ir à escola um dia, e não têm a mínima compreensão. Nem quiseram passar o justificativo para a escola! Não há direito" E a conversa ficou por ali, porque o nosso autocarro chegou ao destino e o trabalho esperava-nos. Nós, pelo menos, vamos cumprir os nossos objectivos, com seriedade, trabalhando honestamente por uma região melhor. Até porque não temos padrinhos ricos e/ou influentes.