Foram 3 semanas de Setembro que, de uma enfiada, passei na Madeira, tempo para, com alegria, encontrar Amigos e, com mágoa, me despedir de outros dois que nos deixaram e, com saudade, recordo. Mas foi também tempo para, uma vez mais, em pleno Outono, reflectir sobre atitudes, comportamentos e situações que, em diferentes ocasiões me mereceram atenção e neste mesmo espaço abordei, nomeadamente, na sequência da catástrofe que se abateu sobre a Madeira, em 20 de Fevereiro, cujas consequências constatei durante uns dias que aqui passei em Maio, motivo para enaltecer muito do que já havia sido feito e alertar para o que ainda importava fazer. Do que está agora ainda por fazer, cabe destacar a quase totalidade da frente-mar do Funchal, que desde Maio, praticamente, não se alterou, dificilmente se adivinhando o que está pensado fazer-se. O futuro do aterro de inertes, a nascente do cais, continua a ser uma incógnita, assim como continua a faltar a 'coragem' para de vez se promover, como diversas vezes escrevi, "a remoção definitiva dos estabelecimentos de restauração de gosto e qualidade mais que duvidosos" o que compromete seriamente qualquer arranjo urbanístico que dignifique, como merece, essa porta de entrada da primeira cidade europeia nascida no meio do Atlântico, capital da que aspira a ser reconhecida como uma 'Região de Excelência'. Outra situação, muito anterior ao '20 de Fevereiro', é a obra de requalificação da velha Estrada da Pontinha que parece não ter fim. Tratando-se de uma via de acesso entre o porto onde desembarcam dezenas de milhares de turistas dos navios de cruzeiro que visitam a Madeira, além de muitos outros que vindos da zona dos hotéis descem a Rua Carvalho Araújo, aspirando a um agradável passeio, a pé, à beira-mar, até ao centro do Funchal, é inaceitável sujeitá-los, assim como aos próprios Madeirenses, a um percurso por uma nesga de passeio, com menos de um metro de largura, encurralados entre a faixa de rodagem e um tapume em chapas de zinco. É de uma obra necessária e bem pensada que se trata mas o mesmo não pode dizer-se da sua execução, que há muito mais de um ano se arrasta. De contactos que fiz, a esse respeito, parece que a situação ficará solucionada daqui por pouco mais de um mês, oxalá, antes das 'Festas do Fim do Ano' com início oficial a 26 de Novembro. Deixando a orla marítima, a caminho da zona dos hotéis, continua sem fim à vista, o embargo do edifício Minas Gerais, na Rotunda do Infante, assim como, subindo a Avenida, o agravamento do estado de degradação do prédio no gaveto com a Rua do Jasmineiro e o terreno contíguo, situações que diria inexplicáveis. Bem mais grave, como pode antecipar-se, é o 'susto', como já classifiquei, que à demolição do Savoy já consumada, irá seguir-se, parecendo confirmar-se o levantamento de uma muralha serpenteante, sólida, com 14 pisos acima do solo, ao longo da Avenida do Infante, entre o Beco da Imperatriz e a Rua Favila. São todas, situações que não pode deixar de registar-se sem manifestar um enorme espanto, razão para mais uma vez alertar os poderes públicos responsáveis pelo licenciamento, que ainda estarão a tempo de corrigir, salvaguardando o bem comum Madeirense. Dentre o muito mais que poderia escrever sobre o que durante esta estada, vi e ouvi, há uma outra situação que parece eternizar-se e tem que ver com o Diário que leio desde que aprendi a ler, para onde escrevo desde há vários anos e com gosto desejo continuar. O desencontro de opiniões não permitiu ainda chegar a uma solução equilibrada que mercê de uma análise criteriosa, com sentido das realidades, ponha termo a diferendos e a certos excessos, com muito ruído e pouca razão, muitas vezes lembrando 'birras' de 'meninos mal educados', irreflectidamente servindo interesses de outrem que não os dos protagonistas, com prejuízo para todos os Madeirenses. Daí, uma vez mais, o apelo à razão, pela Madeira, sempre!
Francisco Leite Monteiro