Miguel Teixeira Há situações que de tão caricatas merecem a nossa indignação. É o caso que passo a relatar. Um dia destes tive de ir à Consulta Externa do Hospital Dr. Nélio Mendonça. Às 9h00 da manhã, conforme marcado de véspera pelo atencioso médico. Logo à entrada, uma confusão. Gente em cima de gente e uma auxiliar mal disposta. "Só falo com quem estiver na fila", disse a senhora em voz alta como se tivesse a chave do... hospital. Enfim, era ela a chefe e toca a andar para a fila, atrás de uma boa dezena de pessoas a quem a auxiliar foi ajudando a inserir dados do cartão de utente numa máquina. Chega por fim a minha vez: - Cartão de utente!, exige a zelosa auxiliar. Explico-lhe que não tenho, que apenas tenho uma guia que o substitui. - Ah, já devia ter dito! Então lá introduzimos os dados na maquineta e não deu nada. - Vão ao balcão!, ordenou a dona daquele espaço da Consulta Externa. Fomos. Demos entrada, presença confirmada, tudo certo, ordem para subir para o serviço de consultas. Mal saímos do elevador, outra maquineta, outra auxiliar, esta mais bem disposta. Repetimos o procedimento saiu uma senha e indicam-nos outro balcão onde um homem nervoso e visivelmente irritado pede o livro de reclamações. - Sente-se que eu vou chamar quando for a sua vez!, disse outra funcionária sem tirar os olhos do computador e sem saber ao que íamos. Fizemos como nos mandaram. Meia hora depois voltei a tentar falar com a senhora, agora mais simpática, para ver se se dignava ao menos ver do que se tratava. Olhou para a senha e, surpresa minha, disse que afinal não era preciso senha, que o nome já lá constava no computador. Pediu-nos para sentar e esperar. Passados mais alguns minutos decido ir ter com a enfermeira que, muito atenciosa, percebeu que o exame requerido pelo médico de véspera tinha de ser feito rapidamente. E foi. À saída, pensando estar livre de mais papelinhos e máquinas e auxiliares sou surpreendido com a atitude mais ridícula a que assisti até hoje num serviço público: quando me dirijo à mesma senhora que antes tinha dispensado a senha apenas para carimbar a baixa decretada pelo médico, a mesma senhora, que estava sozinha, sem ninguém para atender, exige-me uma senha. Fiquei baralhado, expliquei que era só para dar um carimbo, mais nada. - Tou a cumprir ordens, se quiser fale com a minha chefe, disse a funcionária novamente mal disposta. E lá fomos tirar a senha a uns dois metros de distância. Munidos do papelinho a senhora dignou-se carimbar a baixa. Não terá sido bem um carimbo, foi mais um murro na mesa com um carimbo na mão, mas enfim. Qualquer dia, antes de dar bom dia... tire a senha!